segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Segurança insegura no combate ao mosquito aedes aegypti



    Mais uma vez o Ministério da Saúde, sob o pretexto de intensificar o combate ao mosquito devastador que vem aterrorizando o país, coloca os militares a disposição dos municípios para atuarem como apoio no combate ao vetor. Nada demais se não estivéssemos em uma das cidades mais violentes do mundo ou ainda, não fossem os riscos extras que os agentes de saúde podem correr ao adentrarem nas  comunidades acompanhados  por um militar.

    Em um país onde o tráfico impera e a vida há muito já perdeu o seu valor,  nenhum traficante ficaria sossegado sabendo que o Exército está em “sua área”, do mesmo modo que nenhum agente de saúde se sentirá seguro nas baixadas acompanhado de um militar durante o desenvolvimento do seu trabalho. O risco de ser visto como um “X9” é grande e na melhor das hipóteses o tráfico vai dizer que o agente está levando policia para a sua área, e aí o “bicho pega”. Não é necessário dizer mais nada, todavia os históricos de matérias nos jornais falam por si.

    Lamentavelmente, o Governo Federal, os Estados e Municípios querem tapar o sol com a peneira. Buscam mão de obra 0800, quando na verdade deveriam investir  “de espírito e de verdade” nos programas de combate as endemias, pois,  é do conhecimento de todos que é necessário abrir concurso  (para regularizar o contingente para dar conta dos números de imóveis que crescem a cada dia enquanto o número de agentes diminuem), aquisição de materiais de trabalho, capacitação dos agentes,  condições de trabalho e valorização dos profissionais.

    Além disso, não tem como falar em valorização sem citar o piso nacional, que é o maior descaso que o governo federal e as prefeituras  vêm fazendo com os agentes de saúde do Brasil. Aliás, a saga do Piso Nacional dos agentes de saúde  mostra o quanto  os governantes valorizam e levam a sério os agentes de saúde ou porque não dizer a saúde de um modo geral.

    Associação dos Agentes de Combate às Endemias de Salvador – Aaces

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