terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Combate à febre amarela no carnaval é preventivo e Sindicato de Endemias alerta: “Pouco”

Diante do surto de febre amarela nos Estados de Minas Gerais e São Paulo, o carnaval tem deixado os baianos de cabeça quente, com medo que a doença chegue a Bahia juntamente com os turistas.  O prefeito ACM Neto e a Secretaria de Saúde negaram que a capital baiana estaria correndo risco de ter uma epidemia da doença. Em contrapartida, o diretor da Associação dos Agentes de combate a Endemias e também diretor do sindicato da classe, Enadio Nunes Pinto, denunciou que não está havendo combate rigoroso.

Enádio Careca
Em entrevista ao VN, Enadio afirmou que o combate não está sendo feito de maneira correta: “Material em geral falta muito. O larvicida falta, que mata as larvas impedindo a proliferação, ou seja o combate está sendo feito com deficiência por não ter insumos para combater as larvas também. Os agentes fazem o trabalho, mesmo sem logística, mas hoje temos um déficit em Salvador muito grande. Hoje temos aproximadamente 2.100 agentes de endemias, quando na verdade, para toda Salvador precisa-se de  5.000″.
“Por conta dessa deficiência só está sendo trabalhado até o primeiro andar. Antes, quando tínhamos agentes suficientes, trabalhava-se todo o prédio. O mosquito ele voa pelo elevador, pela escada e sobe a estrutura do prédio. Quer dizer, se no segundo andar tiver foco, não está sendo trabalhado, então não adiantou fazer o combate no térreo e no primeiro andar”. “Geralmente as caixas d’água ficam localizadas no terceiro andar. Mas os agentes não vão até lá. Além de produto, falta material humano”.
Ainda de acordo com Enadio, o número de agentes que irão trabalhar não é o suficiente para que o combate seja realizado com sucesso. “Durante o carnaval, de 2.100 agentes apenas 16 irão trabalhar. O Aedes Aegypti está em todo o canto. O fumacê não vai passar no meio dos foliões. O trabalho tinha que ser feito em todas as regiões, nos bairros, uma varredura, mas não vai ser feito porque para trabalhar no carnaval precisa-se de hora extra. A prefeitura mediante uma concentração da maior festa popular do mundo, deveria colocar pelo menos efetivo de 50% dos agentes de endemias para trabalharem”.
Secretaria de Saúde nega declarações
A diretora de vigilância e saúde, Geruza Morais,  desmentiu a denúncia feita pelo sindicalista e tranquilizou: “Nós não estamos em estado de combate à febre amarela. Fazemos combate ao Aedes Aegypti que é um possível transmissor de febre amarela urbana. Os casos que tem ocorrido até agora no Brasil, são de febre amarela silvestre que é transmitida por outros dois mosquitos, o sabethes e emenagogo”.
Geruza afirmou ainda que o efetivo dos plantões é superior ao afirmado por Enadio:”A Prefeitura Municipal de Salvador pela secretaria está trabalhando, tem 200 plantões, dividido pelos cinco dias da semana em quarenta plantões diários, de agentes de Endemias. Tem vários agentes dando cinco plantões, alguns dão dois, outros dão três, isso só para a questão do  Aeds aegypti, fora as outras endemias, que temos 220 plantões durante os cinco dias de carnaval”.
“Considerando que durante o carnaval não se tem uma ação de abate, combate ou pulverização do mosquito. Ficamos em estado de prevenção, educação e atendendo ocorrências. Não precisa-se de um efetivo de 1.000 homens como temos diariamente. Essas ações que envolvem esses mil homens são feitas desde o mês de dezembro na operação verão” completou.
Geruza descartou que não haja material suficiente para combate: “Foi feita pulverização no circuito do carnaval, assim como foi feito no percurso do Bonfim, Yemanjá e todas às festas de largo. Todas foram trabalhadas previamente, para baixar a proliferação do Aedes nessas áreas. Em bairros que tem índices altos, são realizados mutirões com 1.030 agentes conjuntos com o pessoal da Seman e da Limpurb. Além da pulverização que faz, esse efetivo que vai trabalhar durante os cinco dias de carnaval”.
Questionada sobre a probabilidade da febre amarela estourar em Salvador depois do carnaval, a diretora respondeu: “Isso agora é uma loteria. Estamos fazendo tudo para que não venha e se acontecer algum caso, a gente possa tratar. Quando a chikungunya chegou em Feira de Santana, aqui ela não teve o mesmo efeito, porque nós entramos imediatamente com bloqueios rigorosos, o que estamos repetindo na febre amarela”.

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