domingo, 4 de junho de 2017

Crise no PP: partido tenta manter protagonismo na Bahia

O Partido Progressista na Bahia passa por um período de turbulência inegável. Nacionalmente há uma pressão para que os pepista deixem a nau petista e saltem para a caravela do prefeito de Salvador ACM Neto. Por outro lado, o vice-governador João Leão tem mantido a palavra dada ao ex-governador Jaques Wagner e ao atual Rui Costa e resistido às investidas.
A aliança permanece assegurada pelo menos até 2018. O deputado federal Cacá Leão, filho do presidente estadual do partido, já declarou que o cenário eleitoral do próximo ano ainda é turvo e, portanto, seria contraproducente se posicionar neste momento. O fato é que o planejamento do atual governo mantém a estrutura atual na ocupação das vagas na majoritária com uma mudança: sai Lídice da Mata para entrar um candidato indicado pelo PSD.
Em 2010, quando a chapa majoritária contava com quatro espaços, dois foram ocupados por petistas (Jaques Wagner e Pinheiro – senado), o PP teve Otto Alencar como vice-governador (depois fundou o PSD e pulou) e o PSB indicou Lídice da Mata. No atual cenário, se não houver impedimentos judiciais, a chapa tem assegurada as presenças de Rui Costa (reeleição) e Jaques Wagner (Senado), o PSD deve indicar o outro postulante ao Senado e o PP manter João Leão na vice.
Mas o perigo mora ai: Ronaldo Carletto, deputado federal do PP, não esconde o desejo de ser candidato ao Senado. Já se cogitou a possibilidade de migrar para o PSD para ocupar a outra vaga. Hipótese ainda não descartada, embora tenha esfriado. O deputado estadual Robinho, apadrinhado por Carletto, é quem manifesta insatisfação com a direção partidária sob orientação do federal.

É neste sentido que surgem declarações colocando em dúvida o comando de Leão. As respostas vieram na mesma linha. Cacá Leão diz que o partido não tem interesse em manter quem não quer ficar. Antônio Henrique Júnior, deputado estadual em primeiro mandato e filho do ex-prefeito de Barreiras, também coaduna com o filho do vice-governador.
Em nota enviada à imprensa deixa claro o recado: os nossos correligionários reconhecem no vice-governador João Leão “o governador do oeste baiano”. Tantos são os seus feitos e as suas ações políticas e administrativas em benefício da população oestina. Sabemos que ele tem o seu jeito peculiar de fazer política e tocar projetos... É dessa forma que vejo o presidente do PP na Bahia, João Leão, nosso líder.
A declaração é interessante, pois a reafirmação de uma posição é vista sempre como sinal de fragilidade politica. Isso quer dizer que se alguém precisa afirmar que tem liderança é porque esta liderança está ameaçada. Isso em geral.
Outra situação interessante que acontece no PP baiano é a tentativa de atração do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM). Todos os envolvidos negam publicamente as conversas sobre adesão, no entanto, nos bastidores é sabido que o dialogo está avançando. Se entrar de fato no PP deve ser para ter um lugar na chapa majoritária.
A entrada em campo um novo jogador que tem dialogo aberto com ACM Neto não pode ser ignorada. A jogada ainda não está consolidada e não há como cravar se Zé Ronaldo vai de fato para o PP e, uma vez desembarcando, se vai mudar o espectro político, ou seja, se aliar a Rui Costa. Qualquer definição só será revelada mais adiante.
No mais o PP tem, na avaliação de seus próprios quadros coadjuvantes, que manter-se numa espécie de “em cima do muro” porque esta ‘insegurança’ pode evitar que o passe dos pepistas seja rebaixado antes da definição das chapas.
O PSD se valorizou com as vitórias eleitorais municipais. Partido da base que mais elegeu prefeito. Tem hoje o comando da União dos Municípios da Bahia (UPB) e a presidência da Assembleia Legislativa. A primeira pedida será deles. O PP, neste sentido, tem que encontrar formas de valorizar o passe.
PR, PDT, PSB, além do PCdoB são partidos da base que observam as movimentações e que pleiteiam também um lugar ao sol.
Fonte: Bocão News

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